Friday, April 18, 2008

Estranha Escolha


Não sei porquê esse teu gosto
Não sei porquê eu o escolhido
Não sei que disfarce terei eu posto
Não sei o que de mim terás ouvido

Não sei a razão de tanto afecto
Não sei como me queres melhor
Se meio a medo, se meio directo
Se com vontade, ou por favor

Não sei que um dia te fiz eu
Não sou herói, nem encantado
Que mundo é esse que queres meu
Onde me tens em qualquer lado

Não sei se foi falsa a impressão
Não sei se me fiz de algo mais
Não sei se é corpo, se é atracção
Ou outras pretenções banais


Não sei o que vê esse olho em mim
Nem se o amor peca por lento
Mas se o que fazes é bom assim...










Então que o faças por mais um tempo.

Wednesday, April 9, 2008

Assimetria












Cesariny

Sunday, March 30, 2008

Étrange cadeau



É, e será sempre a dor mais puta.
Será como falar de mim próprio.Ferro na carne.Hoje,e sempre.
Sobre mim só tenho perguntas.
Há veneno no que penso,há dor no que escrevo...
Esta eterna luxúria que me deixa quase morto.
Que artista sou eu, se não mais do que este mundo sei pintar.Não me vejo,não me escuto...nem vivo me sinto.
Que mão esta que por mim escreve.
Não sei se estou louco, ou se o mundo elouqueceu.
Tenho medo que a mão pare, que a fonte seque.Por mais que tente, não escrevo quando quero.
Apelo aos deuses, e a mim próprio.Rasgam-se letras e morde-se a própria pele...a folha, a branco dorme.
E só.
Escrever é como amar, "nasce de quase nada e morre de quase tudo".
Escrevemos pra sermos lidos...por nós e pelo outro.Mesmo no mais profundo dos caixotes, queremos o nosso texto perfeito.
Como leitor estou morto.Morro com os livros.
Por mais que existam,dou por mim buscando outros, outra capas,outro cheiro,outras histórias...
Como escritor sou uma merda.Jamais terei palavras para sentimentos de outros,
vivências alheias,dores próximas...nos meus textos estarei sempre eu.
Sem forças para fugir.
Sento-me entre os próprios versos, e vasculho algo novo de onde possa partir.
É como a parte escura por baixo da cama,esticamos o braço sabendo sempre que encontraremos algo.
Sou discrente em estado puro,vagabundo das próprias ideias...Sinto como se me traísse a mim próprio pela forma como o que escrevo me expõe.
Crio a crú.Sem regras ou limites.Serei erro de escrita,porque sou erro de alma.
Não adiantam rascunhos,ensaios...são palavras lançadas ao fogo.

Escrevo hoje, porque alguém escreveu por mim. Amanhã espero estar louco.




Porque são, não escrevo assim.










*

Tuesday, March 18, 2008

Doce dor




Gosto de mulheres.
As mulheres são como os sonhos...nunca são como as queremos.
Nunca.
Tornam-nos outros...caminhamos de outra forma, falamos de outra forma, mudamos de perfume,de sotaque...tornamo-nos deuses,heróis,contadores de 1001 histórias...que não as nossas.
Gritamos mais alto que nós próprios para que reparem...para que saibam que ali estamos.
Amamos mulheres mais e menos bonitas...se a beleza constituísse o único mérito das mulheres, ás feias só lhes restaria o suicídio.
Para o mal de muitos o amor é cego.Eu não.
A mulher bonita é a mulher do homem. Que se elucidem os corpos e as mentes...o belo existe, e nós gostamos dele.É a mulher bela que nos faz tropeçar as pernas, a menos bela poderá fazê-lo, mas com o dobro do trabalho.
Adoro a forma como mentem, e como não o fazem. Preferirei até não saber o que é o quê.
Há nas suas confissões uma réstia de silêncio...do seu mundo não teremos mais do que isso. Tomaremos a sua verdade como a nossa...ou morreremos loucos.
Que se enganem os machistas sobre quem manda em quem. São arquitectas de alma, estrategas da sua própria vida. Lançam os dados esperando que tudo bata certo.É uma roleta...amas, morres...amas e morres, amas ou morres...
Quem não amou nunca, já nasceu morto.
Aquele que amou loucamente a mulher que teve, saberá mais de amor do que o que teve mil.
Escreve isto o próprio corpo, e as marcas que nele passeiam. São as regras do jogo.
Que se enganem os conformados, que se despertem os menos lúcidos...a mulher sempre esconderá aquilo que realmente deseja.
Que se quebrem as alianças,que se encarem os desejos, que se destapem os medos...
O corpo toca-nos o espírito...o veneno aquece a alma.
E a mulher dormita nua...




“Quando a menina se torna mulher...o homem torna-se menino”.




.

Saturday, March 8, 2008

Hoje




Não há medo maior que possa sentir quem escreve sobre a morte, que a ideia que todo o texto pode ser o último.
A morte é uma puta. A vida também.
A escolha entre ambas mais do que utópica,é efémera.
A morte espera-se, a vida gasta-se.E ha muita vida por estrear.
Gastamos vida a falar de vida.Da nossa...e não só.
Julgamo-nos Deus,senhores de opinião,e gastamos minutos dos nossos... a descrever os de outros...
Falamos porque falamos, não porque gostemos de o fazer, mas por não sabermos fazer mais nada.Julgamo-nos perfeitos saboreadores do paladar da vida,quando na verdade ela nos sabe a pouco.Enchemos o peito de ar e mentimos a nós mesmos.”Amanhã serei outro”.
Mas o amanhã saberá ao mesmo. A “ontem”.
Vivem pessoas no mesmo mundo que o meu com uma coragem extraordinária,lições de vida...Príncipes de sangue incolor,tocadores de piano...gente melhor do que eu próprio alguma vez me considerarei.
Vivemos com o peso da própria vida ás costas, e ainda assim cabe-nos uma ou outra no bolso.Somos cegos, e gostamos...dói-nos menos.
Queremos salvação vinda do céu, quando já tanta merda fizemos em terra.Zangamo-nos com Deus, queremos que nos pare com sofrimento, ou que faça alguém sofrer também...para que nos deixemos de sentir sós.
Deus assusta-me.E a sua ausência também.
Não me fascino pela Fé,nem pela falta dela...Creio na vida,e na morte, sem interesse por qual chega primeiro.
A minha vida vivê-la-ei hoje, com todo o sofrimento a que tenho direito.
Sem vergonha, mas com respeito, sem vaidade, mas com orgulho.
E sorrirei.
Amanhã o dia estará vivo.










E eu com ele .

Tuesday, March 4, 2008

Amores Loucos










*

Barcelona



Seria inevitável o (re)começo deste Blog, sem falar disto. São experiências maiores que nós próprios, e tentar passar para aquí tudo o que o vivi nos últimos 6 meses da minha vida, seria injusto quer para mim, quer para todos aqueles com que partilhei esses momentos.
Carrego hoje no corpo, as lembranças de todas as horas em que me senti no topo do mundo...
Todas as vezes em que parei,sorri, e perguntei a mim próprio se merecia tudo aquilo...todos os abraços, todas as lágrimas...
É surreal a forma como nos pode marcar algo assim tão curto...mas marca.
Chega a ser rídicula a forma como recordo Barcelona.
Não sinto falta dos bares,das lojas...da Universidade do tamanho do mundo. Não sinto falta do Glamour das ruas, do perfume das mulheres... Não sinto falta do tráfego louco, das motas, das cores, das motas ás cores... Não sinto falta do absinto, do chocolate quente, das underground stores, das casas de tatuagens, da calçada suja, das ruas de muita luz...
Sinto falta de mim próprio...em todos esses momentos. E em outros.
Sinto falta do Mp3 mais alto que eu mesmo, a ruir me os ouvidos.
-“João onde vais?”
-”Sei lah. Para aí...”
Sinto falta das noites estranhas, das pessoas estranhas...de eu próprio me sentir um estranho. Sinto falta do cheiro a “ontem” da cozinha, das conversas cruzadas em que em tudo se falava menos em português...sinto falta de ouvir o meu hino...e de quase chorar.
Devo a muita gente tudo isto que passei.
Só um presente como o que vivo agora, me pode fazer sorrir, depois tudo o que vivi...
E faz.
Estou feliz por estar de volta.



Um dia...”voltarei” para lá.









P.S: Ainda hoje quando adormeço...parece que me oiço a rir.

Friday, September 28, 2007

Verdadeira amizade

Ontem soube pela primeira vez em 20 anos, o que é ficar sem palavras.
Soube mesmo...








...e continuo sem elas.

Tuesday, September 18, 2007

Porquê não sei...





...mas ao vivo ainda consigo gostar mais disto.
Sei que é paixão cega.A minha adoração pelo trabalho(e falta dele) de Pete Doherty com ou sem os Babyshambles,é de facto um fenómeno estranho de entender para muitos que comigo convivem.E para mim também.




Mais uma vez, Music when the lights go out.
Foda-se.

Sunday, September 9, 2007



Can you fly, can you sing
Can you dance over the sky?
Can you kiss all of my rings
Without smile or without cry

Can you kiss my hand and lips
Can you stay all those cold nights
Can you remember all of my words
Can you forget all of our fights…

Can you put your best dress
Can you dance until the end of sun
Can you keep clean all of that mess
And all that shit that we have done

Can you feel my voice telling you
“Together we beat them all…”
Can you put all the good things big
Can you put all our bad things small..

Can you show me the reddest rose
Can you take me to the highest point
Can you give me the hardest hug
Can you smoke with me the strongest joint...

Can you one day be my wife
Can you hate me…and love me to?
Can you share with me your life..
I don’t know…




Can you?

Wednesday, September 5, 2007

Barcelona

Sim, estou vivo.
Como (alguns) sabem estou em Barcelona, onde vou ficar os próximos 6 meses deste ano..
Terei agora menos tempo para ir passando por aqui, mas vou fazê-lo sempre que possa.
Aqui vos espero...sabendo que me esperam também a mim.

A propósito...













...que cidade do caralho

Friday, June 22, 2007

Sem permissão





Roubei-te a alma e a coerência
Roubei-te o brilho desse rosto...
Roubei-te o vestido da decência
Como se nunca o tivesses posto...

Roubei-te a vontade de estares longe
Roubei-te esse teu orgulho
Roubei-te o riso que trazes hoje...
Roubei-te a ti...e sem barulho

Roubei-te a carne e o desejo
Roubei-te o senso e a razão
Roubei-te o sexo, roubei-te o beijo...
Fica com o sim...roubei-te o não

Roubei-te a vergonha da cara
Roubei-te o meu que já foi teu
Roubei-te essa ira que não sara
Por saberes que quem te roubou fui eu

Roubei-te as palavras antigas
Roubei-te as horas do estares comigo
Se me roubares nunca me digas...
Pois posso querer roubar contigo

Roubei-te o rigor e a calma
Roubei-te as provas de que existo
Roubei-te o corpo,roubei-te a alma...










... e o sorriso ao leres isto.








*

Friday, June 15, 2007

Que seja...

Não é sexo, não é desejo
Não é amor, não é paixão
Não é o toque, não é o beijo
Não é um sim, não é um não

Não és tu, não sou eu
Não é o cheiro, não é a voz
Não é o meu, não é o teu
Não é por eles, não é por nós..

Não é saudade, não é lembrança
Não é o corpo, não é a alma
Não é crença, não é esperança
Não é raiva, e não é calma...

Não é drama,não é romance
Não é presente, não é passado
Não é segredo, não é suspense
Não é vendido, não é roubado

Não é o são, não é o louco
Não é rival,não é amigo
Não é o que quero, e sabe a pouco
Mas onde fores...









...eu vou contigo .

Tuesday, June 5, 2007

pah..

Já cá esteve nos primórdios deste blog, mas hoje, e mais que nunca,o seu significado a boiar nas profundezas do "ai que se foda" .
Mais uma vez e porque nunca me farto...

Pete doherty - beg, steal or borrow




Wednesday, May 23, 2007

O paraíso que nunca me atraiu...







...e um inferno que me toca tão perto.